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Tavira | Encontro de Comunidade

  • há 5 dias
  • 3 min de leitura

Era uma tarde quente, aquela do dia 12 de junho. A Comunidade OCDS de Tavira tinha o seu encontro formativo às 18h. Por ser dia da Solenidade do Sagrado Coração de Jesus, o encontro teve uma estrutura diferente: uma hora de adoração ao Santíssimo Sacramento, seguida da celebração da Eucaristia. Um encontro aberto a todo aquele que entrasse na igreja. Lá fora, o vento quente de sueste fustigava. Na igreja de Santiago, um refrigério. A alegria silenciosa e contagiante do encontro da família carmelita, os olhares cúmplices, os sorrisos, aquele abraço. A alegria de quem sente que chegou a casa. «Vede como eles se amam». Amor que se vê e sente. O P. André Morais viera da Comunidade do Porto rumo ao sul para o nosso encontro, por amor enraizado na fonte de todo o Amor. Na igreja, o silêncio! O P. André convidou-nos a uma adoração «à maneira carmelita», a fazer silêncio no nosso interior, a colocarmo-nos na presença de Deus, a silenciar os nossos ruídos interiores, as preocupações, o cansaço do dia. Jesus iria mostrar-Se diante de nós, em corpo, sangue, alma e divindade. Convidou-nos a prepararmo-nos para o encontro com Ele. O encontro que Ele marcara desde toda a eternidade, o encontro que Ele espera e pelo qual a nossa alma anseia. Abriu-se o sacrário. Reverência à passagem do Rei dos Reis. Colocado na custódia, o Sol sem Ocaso irradia a Sua luz esplendorosa que tudo abarca, ilumina e aquece, os joelhos dobram-se, os anjos juntam-se a nós em adoração, os olhos fixam-se na Hóstia consagrada, os corações contemplam, os lábios proclamam um ato de fé e amor. Uma grande paz. A real presença de Deus. As mentes acalmam--se, os corações serenam. O Senhor olha-nos; olha-nos a cada um de nós com o Seu olhar penetrante, ama-nos com um amor pessoal e eterno, espera-nos, quer estar connosco, com todos e com cada um de nós. Confiemos n’Ele, o Verbo eterno que Se fez homem para estar connosco. A Jesus podemos dizer tudo; se há Alguém a quem podemos dizer tudo é a Ele; sem medo. Ele ama-me como eu sou, com a minha pobreza, a minha pequenez, as minhas imperfeições. Começa o diálogo, coração a coração. «Olha quem te olha». A música suporta o encontro dos corações, a terna troca de olhares enamorados. «A oração não consiste em pensar muito, mas em amar muito», como nos ensina a Santa Madre. Abandonamo-nos a Jesus, deixamo-nos tocar, inebriamo-nos n’Ele, como se a alma já estivesse imersa na eternidade. A alma não consegue dar graças por tão grande dom, por estar na real presença de um Amor tão grande, na real presença de um Deus que Se faz pão, que Se deixa ver e tocar. No altar-mor, a imagem do Sagrado Coração de Jesus ajuda-nos a contemplar o Seu Coração aberto, rasgado, que atrai e abarca toda a humanidade. Toda a criação converge para o Seu Coração, manso e humilde, que Se deu todo por mim, por ti. «Ó anjos, cantai comigo (…) dar graças eu não consigo, ó anjos dai-as por mim». Segue-se a Eucaristia. Meditámos no mistério do Amor de Deus, aprofundámo-lo. Contemplámos o mistério da Cruz de Jesus. «Tenho sede». Jesus tem sede do meu amor, do teu amor. Olhos nos olhos. Coração a coração. O meu pobre coração é convidado a revestirse dos sentimentos do Coração de Jesus. Que resposta tenho a dar a Sua Majestade, o meu Senhor? No momento da consagração, as palavras de Jesus lembram-me que Ele «aceitou ser isto (…) para que o nada aceite ser nada, diante d’Aquele que é.» No momento da comunhão, sentindo Jesus a tomar todo o nosso ser, que a nossa vontade se una à Sua, num Sim pleno de confiança no Seu poder e na Sua infinita misericórdia. Deixemo-Lo transformar o nosso coração. E que a beleza deste encontro carmelita, tão tocante, vivido na simplicidade, profundidade e fraternidade, produza em nós muitos frutos de santidade.



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                                                                                                      E-mail: carmelosecular@carmelitas.pt

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