XXXIII Encontro Nacional do Carmelo Secular
- 3 de mai.
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No passado mês de abril realizou-se em Fátima o XXXIII Encontro Nacional do Carmelo Secular.
O Encontro teve início na sexta-feira, dia 24 pelas 19h30 com a oração de Vésperas com o nosso Provincial da Ordem, P. Vasco Nuno, o Delegado Provincial, o P. Joaquim Teixeira, os Padres da Comunidade OCD de Fátima, e os cinco jovens que estão neste momento a fazer o seu aspirantado nesta Comunidade. Após a oração, seguiu-se o jantar durante o qual foram chegando mais alguns Seculares, que com muita alegria se juntaram aos presentes, vindos das várias Comunidades OCDS do nosso país (Continente e ilha da Madeira). O Encontro contou com a presença de 86 Carmelitas Seculares! A abertura foi feita pelo P. Vasco e o Presidente do Conselho Nacional fez de seguida uma breve apresentação do programa do Encontro. O tema escolhido para este XXXIII Encontro Nacional da OCDS foi: “O Carmelo: Escola de Amor”, com as duas conferências agendadas para o sábado, dia 25, a cargo do P. João Rego, OCD. Depois do programa apresentado o dia terminou com a oração de Completas em comunidade.
O dia de sábado começou cedo, com a oração de Laudes, juntamente com os Frades, seguindo-se o pequeno-almoço. Logo de seguida, e já com muitos mais Seculares que acabavam de chegar e se juntaram nesta manhã, celebrarmos a Eucaristia em ambiente de comunhão e família. Às 10h30 reunimos no Auditório da Domus Carmeli para escutarmos a primeira conferência, intitulada: “Converter o olhar para poder amar”. Em ambas as conferências, o P. João teve por base os belíssimos ensinamentos de Santa Teresinha do Menino Jesus na sabedoria do Amor e da Caridade Fraterna. Para iniciar esta primeira conferência sobre o amor e como devemos amar, começou por recordar o mandamento novo que Jesus Cristo deixou aos seus discípulos na Última Ceia: “Dou-vos um novo mandamento: que vos ameis uns aos outros, como Eu vos amei” (Jo 13, 34). A novidade deste mandamento não é o amor em si, mas a sua medida e exemplo: …como Eu vos amei, isto é, de forma infinita e incondicional, pois «no entardecer da vida examinar-te-ão no amor» (S. João da Cruz), Mas, para podermos amar, temos de nos deixar amar e sabermo-nos amados por Deus, com as nossas imperfeições, fragilidades e defeitos, só assim o amor de Deus pode fazer obra em nós e desta forma aspirarmos à perfeição do amor, que é a santidade. Para que isto aconteça é necessário converter o nosso olhar. Pois, ao contrário de Deus, nós vemos mal! Vemo-nos e julgamo-nos mal assim como também vemos e julgamos mal os outros, a maior parte das vezes baseados apenas na imagem que temos dessa pessoa e que tantas e tantas vezes é uma imagem errada e imperfeita. Mas, e então como podemos nós converter este nosso olhar tão desfocado? (Perguntámos todos em silêncio!) A resposta é simples: a conversão do nosso olhar só acontecerá através da humildade, ou seja, no reconhecimento de que a nossa visão é fraca e superficial, permanece apenas no exterior, ao contrário da visão de Deus, que penetra no interior de cada um. Se queremos ver melhor, também nós devemos penetrar o olhar no nosso interior, de mim e daquele que está próximo de mim e que tantas vezes me é desagradável e incómodo. Para melhor exemplificar o P. João recorreu à extraordinária obra de Santa Teresinha do Menino Jesus, a «História de uma Alma». No Manuscrito C, Santa Teresinha narra um episódio acerca de uma Irmã da sua Comunidade «que tem o condão de me desagradar em todas as coisas: as suas maneiras, as suas palavras, o seu carácter, pareciam-me muito desagradáveis. Apesar de tudo, é uma santa religiosa, que deve ser muito agradável a Deus» (…) E a partir deste pensamento, e apesar de lhe custar muito este combate, Teresinha de Lisieux decide aplicar-se «a fazer por essa Irmã o que faria pela pessoa que mais amo», decide olhar para esta Irmã com os olhos de Deus, pois «estava certa de que isso agradava a Jesus» e que Ele «fica contente quando não nos detemos no exterior».
Depois de um breve intervalo seguiu-se a segunda conferência: “A metodologia da Doutora do Amor: Santa Teresinha”. Nesta conferência o P. João Rego, abordou o tema da Caridade Fraterna e de como Santa Teresinha a aplicou durante a sua vida no Carmelo de Lisieux. No mesmo Manuscrito, Teresinha escreve à sua querida Madre, que: «Jesus concedeu à vossa filha a graça de a fazer penetrar nas misteriosas profundezas da caridade». Santa Teresinha já tinha reconhecido antes que compreendia o que era a caridade, «mas de uma maneira imperfeita» (…) E por isso decidiu a aplicar-se «sobretudo a amar a Deus e foi amando-O que compreendi que o meu amor não se devia traduzir só em palavras, porque tal como nos diz Jesus: Nem todo aquele que Me diz: “Senhor, Senhor” entrará no Reino do Céu, mas sim aquele que faz a vontade de meu Pai que está no Céu. (Mt, 7, 21). Segundo Santa Teresinha, «a caridade perfeita consiste em suportar os defeitos dos outros, em não se escandalizar com as suas fraquezas, em edificar-se com os mais pequenos actos de virtude que se lhes vir praticar. (…) Sobretudo, que a caridade não deve ficar encerrada no fundo do coração». E com muita humildade, reconheceu que, «quando sou caridosa, é só Jesus que age em mim; quanto mais estiver unida a Ele, tanto mais amo também as minhas Irmãs.»
Com estes preciosos ensinamentos de Santa Teresinha, o P. João terminou a sua segunda conferência, convidando-nos a pensar e refletir em tudo que acabáramos de escutar e como Santa Teresinha nos pode ajudar, através do seu exemplo, em situações concretas do nosso dia a dia, na família, no trabalho ou na Comunidade a que pertencemos. Foi este o trabalho proposto para a tarde de sábado, em grupos de 8 a 10 pessoas, para depois partilharmos entre todos as reflexões de cada um dos grupos. Apesar das diferentes perspetivas e reflexões que foram feitas, foi unânime que a oração e a humildade são, sem dúvida, os melhores meios para amar como Deus nos pede.
De seguida e à semelhança de sexta-feira, rezamos a oração de Vésperas em comunidade, para depois jantarmos e terminarmos o dia com a oração do Terço com S. João da Cruz, o Poeta e Doutor do amor.
No domingo o dia iniciou com a oração de Laudes, seguida do pequeno-almoço. Já com o espírito e corpo saciados seguimos para a escuta e o diálogo com o Conselho Nacional, onde foi apresentado pelo Presidente, um breve resumo do que foi feito neste ano pastoral, sob o lema “Vede como eles se amam!” e partilhada a alegria da presença de tantos elementos das diversas Comunidades neste XXXIII Encontro do Carmelo Secular. Curiosamente, neste Encontro estiveram presentes os 5 elementos que ao longo destes anos, com grande espírito de serviço e humildade, presidiram o Conselho Nacional: a Rosarinho Castro, a Maria Emília André, o José Manuel Couto, a Isabela Neves e o atual presidente, Gustavo Tato Borges, com direito a registo fotográfico ao lado de Nossa Senhora do Carmo, para memória futura.
Foi ainda abordado o Plano Nacional de Formação, que está em curso e que necessita da colaboração (partilha de ideias, contributos literários, etc.) de todas as Comunidades, de forma a enriquecer e a concluir este Plano de Formação e assim beneficiar todos os Carmelitas Seculares, os Seculares em formação e os futuros elementos que poderão vir a fazer parte da OCDS. O Conselho Nacional lembrou também a importância da comunicação que é feita através da página online da OCDS e que facilmente todos podem e devem subscrever e onde estão disponíveis os contatos que podem usar para a partilha/comunicação das notícias de cada Comunidade, que tanto enriquecem a nossa Revista – Flor do Carmelo, que completa em dezembro 30 anos! «A Flor do Carmelo é uma graça de Maria e a nossa homenagem a Ela», e que teve como grande impulsionador e coordenador até ao ano de 2011, o P. Jeremias Vechina. No final desse mesmo ano foram os Carmelitas Seculares que assumiram a publicação deste Boletim/Revista e aqui continuamos para continuar a estreitar a comunicação entre toda a Família Carmelita. Um bem-haja todos os Carmelitas que de forma direta ou indireta têm contribuído para que este projeto se mantenha vivo!
No fim destas comunicações do Conselho Nacional e a escuta de alguns pontos de situação que algumas Comunidades quiseram partilhar, seguimos para o encontro com as Irmãs Carmelitas Descalças do Carmelo de São José, que nos receberam no locutório com muita alegria, partilhando connosco também como vivem o amor e a caridade fraterna na sua Comunidade. No fim deste maravilhoso encontro familiar Carmelita, que juntou as Irmãs, os Frades e os Seculares fomos para o encontro com Jesus e celebrá-Lo na Eucaristia.
Após almoço na Domus Carmeli, terminamos este XXXIII Encontro Nacional OCDS, regressando cada um a sua casa, com a alma e coração cheios de gratidão e de amor.




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